Emerson Antunes e Paulo Cesar da Silva
Uma imprensa sedenta por escândalo e o fim de um relacionamento amoroso que começou com seqüestro e terminou em tragédia. Combinação ideal para o “show” que acabamos de assistir, transmitido pelas emissoras de TV.
A cobertura da história da menina, que conheceu seu algoz aos 12 anos, em geral, deixou de abordar um problema social cada vez mais presente em nossa sociedade: famílias desestruturadas, com filhos de pais ausentes, sem a mínima orientação. Meninas, desamparadas de apoio familiar, descobrem o sexo precocemente e em número cada vez mais assustador trocam as bonecas por bebês e a escola pelas ruas, para citar apenas alguns exemplos. De acordo com dados do Ministério da Saúde, atualmente de cada quatro gestantes no Brasil, uma é adolescente.
O caos social que deu origem ao “Caso Eloá”, foi completamente ignorado pela imprensa. A cobertura deveria ter discutido porque meninas começam a namorar assustadoramente aos 12 anos de idade e que conseqüências esse comportamento traz para a nossa sociedade. Faltou prestação de serviço, sobrou sensacionalismo.

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